Perigo iminente: alteração do Estatuto da Caixa poderá entregar diretorias a não concursados | Portal
13/09/18 15:38

Perigo iminente: alteração do Estatuto da Caixa poderá entregar diretorias a não concursados

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Os cargos ocupados exclusivamente por concursados da Caixa correm perigo. O Conselho de Administração da Caixa pode votar ainda hoje, 13 de setembro, a alteração do Estatuto do banco que autoriza servidores efetivos federais a ocuparem cargos de diretoria da área de controle, ou seja, setores Jurídico, de Auditoria e de Corregedoria, departamentos que antes eram preenchidos unicamente por empregados concursados do banco. A absurda iniciativa que visa o desmonte da CEF foi tomada pela Presidente do CA e secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi.

Compactuando com o projeto de desestatização do banco, promovido pelo governo Temer, a alteração do Estatuto impõe, de forma sumária, uma mudança que poderá destruir todas as carreiras dos empregados da Caixa, expondo a empresa à privatização. A direção do banco já havia realizada a mesma proposta em outubro de 2017 durante debate do novo Estatuto da empresa. No entanto, a mobilização e resistência do movimento sindical e associativo dos trabalhadores impediram o avanço do texto.

Em reunião realizada em agosto deste ano entre CA e a Direção da empresa, parte dos representantes do Conselho acatou a proposta que autoriza a Caixa a aceitar nomes do mercado privado para cargos importantes dentro da empresa, entre eles os de vice-presidentes. Essa postura desagrada e afronta o corpo funcional da Caixa, pois além de desvalorizar o quadro de empregados, abre brechas sem precedentes para a privatização do banco.

 “A Direção da Caixa, mais uma vez, mostra que está do lado dos interesses privatistas e que pactua com o projeto entreguista do governo Temer. Se cargos exclusivos estão sendo abertos a servidores efetivos federais, que dirá as ocupações menores de diretores, superintendente, gestores, gerentes e empregados. Esse é um passo perigoso que oferece caminhos sem retorno à desestatização do banco. A proposta da presidente do CA, Ana Paula Vescovi, é uma afronta, e por isso, precisamos reagir ao massacre que abrirá brechas para o fim dos concursos públicos da empresa. É hora de reação contra esse atentado que querem impor à CEF 100% pública”, convoca o Presidente da APCEF/RJ, Paulo Matileti.

Em janeiro deste ano, a Caixa aprovou o novo estatuto embasado na Lei das Estatais (13.303/2016), Lei das S.A. (6.404/1976) e no Programa de Destaque em Governança das Estatais da B3, que restringe que pessoas com indicações políticas ocupem cargos de gestão no banco. No entanto, a alteração não impede que profissionais do mercado privado ocupem funções na empresa. “Não podemos aceitar ações que promovam o desmonte do banco e desvalorização dos seus empregados. Em pouco tempo a Caixa inteira poderá está nas mãos do setor privado. Precisamos nos mobilizar”, finaliza Matileti.

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